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Perguntas

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Em um valuation com base no Free Cash Flow to Equity, você considera no FCFE a receita financeira do caixa gerado??
Contexto: Um grande banco se recusa a incluir a receita financeira com base no argumento que no FCFE, todo fluxo gerado é distribuído para o acionista, de forma que a empresa não acumula caixa para gerar receita financeira! No entanto, a empresa tem R$1 bi de caixa inicial.

O banco tem razão em relação à acumulação do caixa. No entanto errado em relação ao caixa inicial.

Você tem duas opções:

1) Somar o caixa inicial ao equity: difícil justificar um caixa mínimo tão alto. Caixa inicial é como ativo não operacional, você soma ao Equity. Se não fosse assim, descontaríamos a dívida bruta, não a dívida líquida do TEV.

2) Desconsiderar o caixa inicial, mas somar o seu juros no FCFE: a segunda opção impacta negativamente o valor do equity pois a receita de juros do caixa é descontado a Ke (uma taxa certamente maior). Este efeito é conhecido como “negative carry” do caixa.

 

Eu não entendo muito bem esse conceito do capital de giro no fluxo de caixa descontado, isso é um valor q a empresa irá separar no caixa ou é só um ajuste para transformar o lucro do regime de competência para o de caixa? 

Eu não costumo explicar dessa maneira porque acho pouco didático, mas já que você foi por este caminho... Com uns ajustes*, você está certo. NO BALANÇO, as contas de capital de giro fazem esse ajuste da contabilidade por competência por caixa. Para colocar um exemplo, pensa em um varejista que vendeu uma roupa em 3 parcelas. A venda aconteceu, portando deve ser reconhecida como receita no DRE (regime de competência...). No entanto, o dinheiro não entrou no caixa, portanto criamos uma conta de CLIENTES A RECEBER que é baixada contra caixa a medida que os pagamentos acontecerem (ajuste para o regime de caixa). Faz sentido para você?? *Ajuste 1: o ajuste caixa-competência acontece no balanço de pagamentos. Pelo meu exemplo é fácil perceber que a VARIAÇÃO da conta CLIENTES A RECEBER é o que de fato entrou no caixa da empresa. *Ajuste 2: estamos falando da VARIAÇÃO DO CAPITAL DE GIRO, não do capital de giro. Por fim, é semântica, mas semântica é importante... *Ajuste 3: estamos falando da variação do capital de giro OPERACIONAL, não é qualquer conta do balanço. Assim, fechando o raciocínio, fazemos o valuation de uma empresa calculando o fluxo de caixa operacional e recorrente da empresa a partir do a) EBIT (-) Corporate Tax, b) Somamos Depr. & Amort. porque não são despesas caixa, c) tiramos capex porque é uma saída de caixa necessária para as operações da empresa, d) somamos/tiramos a VARIAÇÃO do capital de giro para ajustar o EBIT para o regime caixa.

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